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terça-feira, 27 de julho de 2010

Massa, bom menino...



Domingo de manhã. GP da Alemanha de Fórmula 1. Felipe Massa em primeiro. Poucas voltas para o final. Tema da Vitória com certeza. Mas aí, um comando no rádio do brasileiro e o fantasma do episódio Barrichello de 2002 retorna. A grande promessa do automobilismo brasileiro se sujeita a um joguinho de favorecimento para esse ou aquele piloto. Como um cordeirinho,
reduz a velocidade, abre espaço deixa a vitória com Fernando Alonso. E o espanhol vive de favorecimentos. Seu talento é inquestionável, mas a série de empurrõezinhos que teve na carreira, por parte das equipes, mancha até mesmo seus dois títulos mundiais. E, curiosamente, dois desses empurrõezinhos tiveram a participação de brasileiros: esse último, e o lamentável acidente provocado por Nelsinho Piquet no GP de Cingapura em 2008.
Vendo como os brasileiros se comportam nas pistas hoje, imediatamente me lembro de algumas das inúmeras frases do Ayrton sobre vitória:
“A Fórmula 1 é um tempo perdido se não for para vencer."
"Ou você se compromete com objetivo da vitória, ou não."
"Vencer é o que importa. O resto é a conseqüência."
(Nossa, dá até arrepio ouvir essas frases do Senna! Parece até que ele está dizendo isso para os pilotos de hoje...)

Não quero de forma alguma, comparar nosso maior piloto com o Rubinho ou com o Massa muito menos com o Nelsinho, que se for pra ser comparado, que seja como Nelsão, pai dele. Mas, a questão é mais cultural que necessariamente de méritos. Não adianta querer fugir disto: somos um povo que vive de vitórias, sejam elas quais forem. E quem quiser representar o Brasil no esporte, TEM que vencer. Ou pelo menos ter espírito de vencedor, que já é suficiente. Afinal, pelo menos dois dos maiores nomes do esporte mundial de todos os tempos são brasileiros: Senna e Pelé. E não é pouco. Nossa história nesses esportes é de vitórias, e todas elas emocionantes. Contra tudo e contra todos. Portanto, não dá pra engolir esse episódio vergonhoso do último domingo. Não tem essa de ordens de equipe, interesse da escuderia. Massa, assim como Rubinho, não tinha o direito de entregar sua vitória, não importa qual fosse a conseqüência, pois não era a vitória só dele, mas de seu país. Pra representar o Brasil no esporte, tem que levar o Brasil junto. Como fazia o nosso Ayrton. E acabamos adquirindo essa cultura através dos seus feitos memoráveis na pista. O objetivo do esporte é vencer. Se não for para isso, o esporte perde a razão de ser.

Infelizmente, o esporte passou a ser uma instituição financeira e os atletas, produtos. Nada mais. De escândalo em escândalo, a Fórmula 1, uma das modalidades esportivas mais festejadas até meados dos anos 90, tornou-se agora um circo de horrores, com bonecos manipulados, pilotando bólidos com tecnologia impressionante, a serviços de chacais movidos apenas a dinheiro, deixando para segundo ou terceiro plano, o clima de disputa, emoção e imprevisibilidade, típico do esporte para os realmente amantes deste. Lamentavelmente, os brasileiros são quase sempre os protagonistas de cada fato negativo. A imagem de vencedor, consolidada por Ayrton Senna, Nelson Piquet e Emerson Fittipaldi, ficou em um passado que nada tem a ver com a imagem dos pilotos brasileiros atuais.

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